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A vida boquiaberta de ternura... poema de amor devoto e análise ao Poema de Alberto Caeiro

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PROFUSA E DEVOTA

Hoje trago-te versos íntimos – 
ondeiam-me soltos na alma 
Centelhas a colorir vidraças
Sorrio da felicidade quando ficamos simples 
Como rede serena que pesca sonhos de amor 
Neste imprevisto mar onde me embalo
aroma de quarto em que te beijo
de leito em que te sinto… 
Com a audácia crua dos amantes

Claustro que enclausura como abraço 
Cerco-me de poemas em que germino
Amo cheiro a café no sulco das palavras
Amo em todas letras abstractas
Em todos os verbos das horas profusas
Em todas as noites alvas e confusas
Em madrugadas adjectivas de insónia
Amo sempre tanto e sem pressa 
nós assim singulares na memória
Tão fora desse cenário que apedreja 
Caprichosos com ênfase e em glória 
Caídos em rituais de riso e paz

E o que escrevo é amor devoto
Entregue sem ressalvas nem condição 
Porque na aurora é a ti que regresso    
Sorvo página a página a vida boquiaberta de ternura 
Todos os tempos são dias, nossos e brandos
mestria pacata do amor 
Proclamado na serenidade vibrante do olhar

Não quero colidir na frieza duma fraga 
Desabitada… inábil para acolher viva´alma  
Porque de repente... Tudo fica estéril e frio – 
já me não semeio nem germino – 
definho… e tudo me finda
sobram-me poemas e líquenes
Encrostados em almas e troncos   

Camila Carreira

Como fazer análise de um poema 

Exemplo de como se faz pelo ChatGPT

Este poema é uma rica exploração da intimidade, do amor e da experiência emocional do eu lírico. Aqui estão algumas das principais ideias e temas que se destacam:

1. **Intimidade e Vulnerabilidade:** O eu lírico fala sobre "versos íntimos" que refletem um estado emocional profundo. O uso de expressões como "ondeiam-me soltos na alma" sugere uma conexão profunda com seus sentimentos e experiências, revelando vulnerabilidade.

2. **Felicidade Simples:** O poema celebra momentos de simplicidade e felicidade, como "sorrio da felicidade quando ficamos simples." Isso sugere que o amor e a felicidade podem ser encontrados nas pequenas coisas, como momentos partilhados e a serenidade do estar junto.

3. **Imagens Sensorialmente Ricas:** O eu lírico utiliza imagens vívidas, como "aroma de quarto em que te beijo" e "cheiro a café no sulco das palavras," para transmitir a intensidade das experiências amorosas. Essas descrições evocam não apenas a visão, mas também o olfato, tornando a experiência mais tangível e real.

4. **A Natureza do Amor:** O amor é descrito como algo devoto e incondicional, "entregue sem ressalvas nem condição." Essa entrega absoluta sugere uma conexão profunda e sincera entre os amantes.

5. **O Tempo e a Memória:** A menção a "todos os tempos são dias, nossos e brandos" sugere uma reflexão sobre a passagem do tempo e como as memórias do amor são atemporais e duradouras. O eu lírico parece encontrar conforto na continuidade e na permanência do amor.

6. **Contraste entre Calor e Frieza:** O poema termina com uma nota de tristeza e solidão, onde o eu lírico fala sobre "tudo fica estéril e frio." Este contraste entre a vivacidade do amor e a frieza da solidão cria uma tensão emocional, sugerindo que a ausência do amor leva a um estado de estagnação e desespero.

O teu e o meu amor… palavra sem rendição (Análise do Soneto de William Shakespeare)


Pousei há pouco o meu olhar 
nesta tão grande e singela poesia que é o mar
Redigida cúmplice do universo
Sintaxe indiscreta a desabotoar-me a alma
Efusivo vulcão que se excede em mim
Muita comoção… 
ânsia funda que me habita
A avidez de esmiuçar tristezas
Doutrinar raciocínios enormes
pensamentos onde me circundas
Nós a gemer a fome de todas as fomes
Mãos ambíguas roçam na pele
Olhares em desassossego 
- Irrompem de todos os lados –
O coração tem tantos caminhos cruzados
Tantas aparições com fôlegos e tortura

E no talento das metáforas
Brotam as sensações - 
derramo palavras nos silêncios
Ilegítimos dilúvios do meu interior –
Confissões... do teu e o meu amor…
Degrau a degrau, palavra a palavra sem rendição –
Tanta iluminação poética a ferir-me –
No rigor das luzes 
Do interior tudo vem mais nítido
Imagens ribombam no espaço
Pouso-as na íntima e difusa astúcia do poema
Exprimo-as sem contenção
E cabe-me toda a lírica no que traço
sem remissão

Camila Carreira 

Este poema reflete uma intensa relação entre o eu lírico e o mar, que surge como metáfora para sentimentos profundos, revelações e conflitos internos. A abertura, ao posicionar o olhar sobre o mar, prepara o leitor para o que virá: uma exploração emocional e reflexiva sobre a complexidade do sentir e do pensar.

O mar é visto como uma “poesia” – uma força natural que ressoa com a alma do eu lírico. Essa ligação é evidenciada pela "cumplicidade do universo", sugerindo que o mar é um espelho da interioridade humana, capaz de desabrochar emoções reprimidas. O termo “vulcão” carrega o peso de uma explosão interna, sugerindo a inevitabilidade de que esses sentimentos e pensamentos vêm à tona, inundando o eu lírico com uma “ânsia funda”.

Ao longo do poema, o eu lírico menciona o desejo de explorar a tristeza e refletir profundamente, mostrando uma atitude filosófica de quem busca entender e confrontar os próprios pensamentos e dores. A referência ao “nós a gemer a fome de todas as fomes” sugere um desejo insaciável e talvez uma inquietação que habita o eu lírico e outros em sua vida, reforçando a universalidade e a profundidade dessa experiência de fome emocional.

Poema de paixão. Trespasso-te no silêncio com amor e gestos ( Análise de Sophia de Mello Breyner Andresen)

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Deito-me no soalho extremo da paixão
semi despida de barulho 
E semeias sorrisos em mim toda
quero declamar-te versos límpidos- 
esse barro que dá forma ao sentir
e molda filosofias em verbos

Trespasso o silêncio com amor e gestos
Com onomatopeias de fogo na espada
é devastadora a palavra gemida 
Ofuscante a dança que nos une
A luz vem de dentro - o brilho vem de nós
Os humores da carne gravam-se
como líquenes no lado sombrio da oliveira -
brotos brotando da pele da alma 
raízes profundas afiladas, prendem-nos 
e quando nossos olhos se atravessam - 
o espanto aquieta-se com aroma a paz
Pensamentos fluem na mesma cláusula -
silêncios talhados na nossa cumplicidade. 
Juntos na harmonia dos bandos

Camila Carreira

Análise do Poema pela inteligência artificial AI
Este poema de Camila Carreira explora a intensidade da paixão e da conexão entre o eu lírico e o outro, sugerindo uma fusão emocional e física que ultrapassa as barreiras do silêncio e da linguagem. O poema começa com o eu lírico a deitar-se “no soalho extremo da paixão”, uma imagem que traz uma sensação de entrega total e vulnerabilidade. Estar “semi despida de barulho” representa uma entrega íntima e silenciosa, onde as palavras e o ruído externos se desfazem, permitindo que a conexão autêntica aconteça.

A imagem de “semeias sorrisos em mim toda” invoca um crescimento de sentimentos positivos que emergem do outro, como se o eu lírico fosse um solo fértil onde a alegria e o afeto florescem. A metáfora do “barro” evoca a ideia de que o sentimento é algo maleável, que pode ser moldado, criando “versos límpidos” e dando forma às emoções. A ideia de “moldar filosofias em verbos” sugere uma conexão com significados profundos e valores que vão além do físico, sublinhando a busca por algo verdadeiro e eterno. 

Poema de paixão e erotismo. Gemido rente ao silêncio. - (Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, análise.)

poemas de amor e erotismo, poesia portuguesa, poemas originais, fernando pessoaVoo no tempo com leveza e delírios  
como sombra a latejar a imponderável vida
sou somente vereda, desses domínios - 
Nas sendas que me vão levando de ti
No tropel dos dias emboscando a saudade
Sobrevoas-me o pensamento a todo o instante
e cubro a dor na intimidade das pálpebras cerradas
no limiar dos meus olhos 
desenha-se o sonho de ti em êxtase 
sagramos o momento sem profanar o intimo
em orgasmos que se perfilam puros de tão imensos 
... de tão intensos 
sucumbo no gemido, rente ao silêncio

e no fim... 
a madrugada nos confins onde te diluis
Calo-me a murmurar gritos em poemas
presa a voz demorando-se no desaire da saudade
Como a arte de ser furacão dentro de páginas
Ou ser onda das que galgam o mar
Ser mãos inquietas segurando o cálice cheio de luar
Pujança e ansia tão à beira de nada 

Morre-me o drama... 
e da fronte, a frente e a vontade de ir
e nas minhas mãos, só as tuas mãos
são tudo que quero e de que disponho

Camila Carreira 


Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, breve análise. 

A poetisa Florbela Espanca (1894-1930) é dos maiores nomes da literatura portuguesa.

Quero-me rendida no teu corpo lasso - (Análise de poema de Fernando Pessoa)

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Quero-me rendida no teu corpo
Lasso
Onde quente de ti
Nos silêncios em que te ouço
Te amo em amplo abraço
Saciando-me na tua pele
Porque me electrizas
Em ondas e arrepios
Quero ler-te sedenta de enigmas
Como se me viesses de dentro
Inequívoco
Como se fosse também eu, tua pertença
Desde sempre
Nas longínquas palavras e melodias nossas
esgueiradas em memórias viscerais 
tudo regressa à raiz por ser seiva
assim pugno por nascer tua liquida
em cada nascente como grito de sangue
em cada fogueira sacerdotisa do amor
em cada poema rima voraz
em cada caminho brutal emanação
como o idioma invicto 
em que professo esta rendição

                 Camila Carreira


«Na casa defronte de mim e dos meus sonhos» 
Interpretar um poema de Álvaro de Campos

Poema do Amor cósmico - Análise do pastor poeta Alberto Caeiro

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todas as citações falam de nós
- torso com muitas alíneas
onde entalhamos a vida 
lavrada de arrepios de amor 
com bocas e mãos em harmonia
subitamente nós no mesmo assombro
e o amor sopro sempre tão original

Existe é força cósmica em mim.
Braço imenso, intenso e abstracto
Olhos em labareda de almas quentes
Beijos como meteoritos atravessam vazios
Incendeiam relâmpagos,
Ininteligíveis velozes
Fixo-me nas estrelas para te chegar
Sentir-te no sopro que és, de vento
Escutar-te nas vagas que és, de mar
Esboçar-te no infindo que és lunar
Serei pássaro ou força esvoaçante
Que te sonha sobrevoar.
És excesso de mar nesta enseada
Colo de virgem apaixonada
Farta inchada 
Nem o espaço nem o tempo
Te apartam de mim
Sinto-te perene a ficar.
Como a lua com o luar
Ou as ondas com o mar
impossíveis de separar...
És a ilha deserta quando naufrago
És universo, sem princípio nem fim,
Amplo azul... para mim 


** Camila Carreira***

Poema da paixão desditosa

camila carreira, poesia de amor,versos para namorarDesculpa por amar-te assim
Levitando vaga nesta incerteza
Tudo porque se apossou de mim
Inevitável minha intensa natureza

Jamais planeei eu sentir
Esta dor solitária impiedosa
Que faz em mim sobrevir
Pertenta paixão desditosa

Conseguirei eu esquecer
Teu olhar que me apaixona?
Que insondável me faz tremer
E que doce… me emociona

Conseguirei eu esquecer
O teu respirar que me ansiava
O teu beijo que me fazia viver
O teu abraço que me salvava

**** Camila Carreira ****

Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 


Fernando Pessoa
Dorme enquanto eu velo...

Poema de procura do amor - Bernardo Soares - DIÁRIO LÚCIDO

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Tem dias assim…
A solidão senta-se altiva dentro de mim
Intransigente…
Lentamente
Intimida-me naquele ar assente
De quem veio para ficar.
Quase mansa e amiga
Uma solidão vasta e ostensiva
Como a imensidão do mar
Onde tudo parece longe e só
onde nada há para se avistar.
E o cansaço veleja a ruminar
Em ondas que não querem parar
Uma solidão que já nem angustia
Porque esse mar amplo e vazio
apega-se e norteia o pensamento
Guia-se pelas estrelas ao luar
Solto-o, incerto vadio e lento
Fecho os olhos deixo-o a pairar
Sorrio...
Adivinhando quem ele vai procurar
Para me sossegar.
Procura quem eu amar...
Um dia vai-te encontrar

*** Camila Carreira ***

Momentos de cultura...

Fernando Pessoa

Minha mulher, a solidão,

Poema de pétalas garridas

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A VIL ENXURRADA 


Sou pétala robusta vivaz e garrida
Que pende em flor frágil desbotada
Sou alma sadia, firme e atrevida
Desafiando um mundo que vale nada
Flutuo insanável cansada
À espera de nada.
Porque a primavera fecunda
Só traz trovoada.
E a pétala garrida vivaz atrevida
Solta-se enfim desgarrada
Com halos de esperança ateada
De raios de luz matizada
Parte na esperança da alvorada
O recomeço do nada
Voejo apressada
Salvar-me-ei, por certo
Desta vil enxurrada
Desta vida endemoniada

*** Camila Carreira ****

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Bernardo Soares
Reconheço, não sei se com tristeza, a secura humana do meu coração.

Sem que ninguém dê por mim

camila carreira, poemas de amor, rosas e cinzas, poetisa portuguesaPoesía e imagens de amores perdidos, jazidos 

Ao ritmo do vento que sopra
Tamborilando em pétalas roxas
Aromatizadas de lírios
Sinto inebriados delírios,
Pelos vendavais trazidos,
Amores perdidos, jazidos 

Não queiram saber de mim
Sou aroma... sou mera brisa
Sou sem princípio nem fim
Ninguém saberá de mim.
Porque eu existo assim
Pairo indefinidamente
indelével e sem destino
Desgarrada e sem ânimo
Volátil, num qualquer jardim
Sem que ninguém, dê por mim...

   ***Camila Carreira****

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Sabe qual é o poema de Fernando Pessoa mais citado na Internet?

Poema de desolação de uma vida queimada

Desviei-me de mim
poemas de amor rosas e cinzas, camila carreira, poetisaEsqueci que existia
Deixei de ser,
E nem percebia
Só quis dar
E nem recebia.
Exigiram-me tanto
E eu nada pedia.
Atarefada e esgotada
Porque a todos atendia,
A minha vida esquecia
Pelo bem de todos cedia
Numa entrega doentia.
Desleixei minha existência
Acreditei, já nem me defendia
Da maldade que me oprimia.
Promessas falsas e mentiras,
Isolamento e solidão… e eu cria
Entorpecia e nem sabia.
O meu futuro passou a utopia
Que aos poucos se desvanecia

Mas eu torpe e espoliada
Já nem podia ripostar
Nada tinha para me validar
Para exigir ou negociar
Era um nada frágil a pairar
Esqueci de duvidar
Esqueci de querer
De sonhar
Esqueci de rir
De pedir
De me olhar
De gritar
Ou de gemer
Quando estava a doer
Esqueci de me debater
camila carreira, poemas de amorEsqueci de mim…
Até que chegou o fim...
Usada e descartada
Olhei-me com desdém
Não me sentia ninguém
Apenas cinzas frias e baças
Espólios da devastação
De uma vida queimada...

*** Camila Carreira ****


Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... ~


Bernardo Soares
Minha alma é uma orquestra oculta;

Paixão é inopinada conexão

Poema e frases de paixão em ebulição 

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Paixão é complexidade e fusão
É apetecível contradição
Vibrante paz em ebulição
Assimetrias em turbilhão
Entrega sem preservação
Dádiva sem delação
Paixão é inopinada conexão
Simbiose em abnegação
Espero-te a todo o momento
Sê o sopro do meu vento,
O impulso do meu alento
Porque só vivo nesta ambição
Ser eu o vórtice do teu furacão 
Ou a lava do teu vulcão
Quero ser nuvem negra da tua trovoada
A luz amena da tua alvorada
O horizonte garrido do teu poente
O riacho fresco da tua nascente
Quero ser tudo que germine em ti
Tudo que finde em ti
Tudo que exista por ti…
Sem ti serei inacabada
Pairo nula no nada
Um vazio que não domino
Sem ti sou mera dor, lágrimas e desatino
Uma solidão doída, que abomino…
Uma jornada desprendida e sem destino

                           *** Camila Carreira****

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Bernardo Soares
Às vezes, em sonhos distraídos, que me surgem das esquinas...

Poema quero ser a onda do mar

camila carreira, poemas de amor, rosas e cinzas, poetisaQuero ser a onda do mar
Aquela que vai e vem
Sem nunca ficar
Sem ter que se escusar
Sem nada trazer e nada levar
Arrastando tudo sem se apoderar
Sem bagagem para arrecadar
Eterna viajante a ondear
Sem ambicionar
Mais que o manso baloiçar
É uma cortesia do mar
Girando em melodias de embalar
Na ondulação fluída de infinito
Do incessante marear

Muda de humor sem se desculpar
Numa vaga suave prestes a rebentar
Singular, musical ou infernal
Imprevisível fulgente e sedutora
E tantas vezes o ouço gritar
Outras tantas a chorar
Fúrias que não pode calar

          *** Camila Carreira ***

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas 


Fernando Pessoa
Azul, ou verde, ou roxo, quando o sol

Poder da paixão ardente imaginada

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Amanhecer apaixonada

Esmorecia o dia, profundo e triste
Escurecia... eu só e desalentada
Desfilava a noite intermitente,
Ora estrelada, ora nublada
Pela névoa ondulante e agitada.
E foi na bruma que surgiste
Ouvir-te... Iluminava
Aquecia e abraçava
Imaginar-te sufocava
No peito eras fogo a deflagrar
Aspirei ávida a fresca brisa do mar
Que eu tanto demandava
Só nessa brisa aquietava
Palpitante... desentrapada
... inquieta... Irrequieta, abrasada
E ao sobrevir a madrugada
Rendida, faminta fascinada,
Confessei-me apaixonada…

Penetrou luz no meu coração
Nos céus na terra… a imensidão
Senti estrondos e um clarão
Minha alma rejubilou, enfim
Ao vibrar no peito a paixão
A vitalidade agarrou em mim
Nem que fora só na imaginação
Precisava sacudir-me assim

Mas a anunciada madrugada
Óbvia de nuvens alvo marfim
Delatara minha glória ideada
Que à crua luz do dia era nada
Mas agora sei que sim.
Preciso sentir-me assim
Apaixonada vivificada
Nem que eternamente desenganada
Pelo despertar impiedoso da luz da madrugada
Que me despoja o sonho de apaixonada


    ****CAMILA CARREIRA****

Momentos de cultura e curiosidades poéticas.... 


Fernando Pessoa

A tua voz fala amorosa...

Poema de paixão sensualidade e erotismo

camila carreira, poemas de amor rosas e cinzasVassala solta no teu prazer


O meu olhar fundia-se em ti.
Vacilei de desejo quando te senti,
Cálido, cercada nos teus braços,
Meu corpo ofegou de ânsia,
Desabou rendido, estendido.
Eramos tão só tu e eu
E a tua pele na minha… ardiam.
Rastilhos febris que se consumiam
As tuas mãos possuíam-me.
O teu olhar penetrava-me.
E teus beijos iam dentro de mim,
E despojavam-me do mundo,
Eramos tão só, tu e eu, nada mais…
Afogueava-me o desejo,
E o prazer intenso de já te ter,
Raspou em mim como uma flecha a arder.
Incendiada, convulsa de prazer,
Entendi que era assim que queria viver
Em ti, por ti, mártir
Vassala solta no teu prazer

             ****  CAMILA CARREIRA****

Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 

Fernando Pessoa
Diálogo na treva?

Imagens de Prisioneira da poesia solta na nostalgia

Poesía que me inspira

É vão resistir aos sentidos que em mim despertas
Pois é nas almas tristes, secretamente flageladas
Que as palavras irrompem, como feridas abertas
E soltam emoções, em torrentes desgovernadas
Como nessas noites negras de chuvas, desnaturadas
Alvoroços da alma desprendidos em enxurradas

                      ***  Camila Carreira***


Poema paixão a dor e fervor que se teme

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Poesías e ímpetos do coração

Hoje vou-te amar porque quero.
Porque de ti tão só espero
Que tomes o que me urge dar
Ímpetos e fantasias de amar

Quero-te complacente a tolerar
Ignoto amor que te pretendo legar
Sensação súbita que sinto emergir
Anui-me… nem precisas de existir

Admite-me afoita nesta paixão volátil
Arrebatada em belas e levianas fantasias
Paixão é liberdade abstrata e versátil
Eclosão díspar de imprudentes energias

Vivem-se intensos abalos epiléticos
Sôfregos desejam-se os amantes
Afligem-se como choques elétricos
Em frações de ansiedades pulsantes

Paixão é dor e fervor que se teme
Doendo crescendo como vaga do mar
É nau instável derivando sem leme
Nunca sabendo pra onde vai rumar

Quero sentir paixão porque me apraz
Preciso rastilhar rajadas de emoções
Porque me enfada a parda e inerte paz
Dos desapaixonados corações

**** Camila Carreira **** 


Momentos de cultura e curiosidades poéticas...


Fernando Pessoa

Ah quanta melancolia!

Poema de saudade paixão

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PARTIDA  SEM RETORNO


Um rasgo de luz triste, na janela
Uma gota da chuva lenta a deslizar
Uma melancolia que cresce nela
No momento que te vê a apartar

No olhar penumbras obscuras
Denunciam a infinda tristeza
De quem já excedeu as agruras
E verteu mil lágrimas, indefesa

No sorriso abrem frescas alvuras
Eclipsam o desolado semblante
Vergado pelas sádicas torturas
Do passado estéril e meliante

Na vidraça fria a fronte repousa
Avassalada débil já em torpor
Mesmo doendo, ela ainda ousa
Deixar fluir a saudade do amor!

Entorpecida na delonga da solidão
Refém da esperança e do esperar
Implora ao débil traído coração…
- Não doas… o amor vai voltar

*** Camila Carreira ****

Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 

Álvaro de Campos
A PARTIDA 

Poemas de paixão e fantasias

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Essa imperfeita perdição
Que é o amor
Conecta felicidade com dor
Devassidão com pudor.
E deixa o cosmos revirado.
Jamais podendo ser ignorado.

Quero saber de ti, amor
Se existes… Onde estás?
Onde te perdeste?
Se me encontrarás
Porque não me sentes?
Nem me consentes…
Se eu só quero viver em ti
Agitar-me nas tuas tormentas!

Vem...
Trespassa, desapiedado, esta letargia
Que repele e suga toda a alegria.
Dissipa, abrupto, a minha solidão!
Que me tolhe de negro o coração…
Quebra, aparatoso o silêncio glacial!
Que ressoa no vácuo frio infernal
E não me deixes sucumbir… petrificar
Humaniza-me. Desperta-me, liberta-me
Arrasta-me agreste doce e inquieto
Só na tua inquietude posso serenar
Esta ira tresloucada de te procurar
Arrebata-me deste viver cinza, sem cor
Elege-me tua…
Paradoxal e policromático, amor

*** Camila Carreira ****

Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 


Fernando Pessoa

Servo sem dor de um desolado intuito,

Poema do monstro de solidão e traição

camila carreira, poemas de amor rosas e cinzas, poetisa portuguesaDESUMANIDADES

O monstro impiedoso
Soltou-me no vazio sem hesitar
Atirou-me para o mundo
Sem me amparar

Arrancou-me as asas...
E exigiu-me que voasse
Arrancou-me o chão
E exigiu-me que caminhasse
Estilhaçou meu coração
e exigiu-me que vivesse!
Lacerou-me a vida em pedaços
E exigiu-me que o esquecesse.
Evaporou toda a verdade
E exigiu-me que aceitasse
Destruiu toda a minha vida
E exigiu-me que não chorasse

A desumanidade venceu
Em afilado precipicio resvalei
Cansada da dor do vazio parei
Traída demais chorei

O monstro surgira, traiçoeiro
Silencioso e negro, em nevoeiro
Com máscara de amor verdadeiro
Destilando a crueldade
Entrou bruto e sorrateiro
Impiedoso e louco
De olhar frio, de sangue raiado
Desumano, grotesco e vazio
Possuído de insano desvario
Apunhalou-me o coração
Odiou-me por o ter amado
E partiu desassombrado
desapegado
...O monstro ruidoso e louco
O monstro que destruiu
O monstro que consumiu
O monstro que extorquiu
E cobardemente me feriu
Finalmente sorriu e fugiu

 *** Camila Carreira***

Momentos de cultura e curiosidades poéticas...                                 

Pontos de vista:

A Traição não se limita apenas a traição amorosa.