Poemas românticos de amor, paixão, dor saudade e encanto. Poesia portuguesa.
A vida boquiaberta de ternura... poema de amor devoto e análise ao Poema de Alberto Caeiro
O teu e o meu amor… palavra sem rendição (Análise do Soneto de William Shakespeare)
nesta tão grande e singela poesia que é o mar
Redigida cúmplice do universo
Sintaxe indiscreta a desabotoar-me a alma
Efusivo vulcão que se excede em mim
Muita comoção…
A avidez de esmiuçar tristezas
pensamentos onde me circundas
Mãos ambíguas roçam na pele
Olhares em desassossego
- Irrompem de todos os lados –
O coração tem tantos caminhos cruzados
Tantas aparições com fôlegos e tortura
E no talento das metáforas
Brotam as sensações -
Ilegítimos dilúvios do meu interior –
Confissões... do teu e o meu amor…
Degrau a degrau, palavra a palavra sem rendição –
Tanta iluminação poética a ferir-me –
No rigor das luzes
Do interior tudo vem mais nítido
Pouso-as na íntima e difusa astúcia do poema
Exprimo-as sem contenção
E cabe-me toda a lírica no que traço
Camila Carreira
Este poema reflete uma intensa relação entre o eu lírico e o mar, que surge como metáfora para sentimentos profundos, revelações e conflitos internos. A abertura, ao posicionar o olhar sobre o mar, prepara o leitor para o que virá: uma exploração emocional e reflexiva sobre a complexidade do sentir e do pensar.
O mar é visto como uma “poesia” – uma força natural que ressoa com a alma do eu lírico. Essa ligação é evidenciada pela "cumplicidade do universo", sugerindo que o mar é um espelho da interioridade humana, capaz de desabrochar emoções reprimidas. O termo “vulcão” carrega o peso de uma explosão interna, sugerindo a inevitabilidade de que esses sentimentos e pensamentos vêm à tona, inundando o eu lírico com uma “ânsia funda”.
Ao longo do poema, o eu lírico menciona o desejo de explorar a tristeza e refletir profundamente, mostrando uma atitude filosófica de quem busca entender e confrontar os próprios pensamentos e dores. A referência ao “nós a gemer a fome de todas as fomes” sugere um desejo insaciável e talvez uma inquietação que habita o eu lírico e outros em sua vida, reforçando a universalidade e a profundidade dessa experiência de fome emocional.
Poema de paixão. Trespasso-te no silêncio com amor e gestos ( Análise de Sophia de Mello Breyner Andresen)
E semeias sorrisos em mim toda
quero declamar-te versos límpidos-
esse barro que dá forma ao sentir
e molda filosofias em verbos
Com onomatopeias de fogo na espada
A luz vem de dentro - o brilho vem de nós
brotos brotando da pele da alma
raízes profundas afiladas, prendem-nos
silêncios talhados na nossa cumplicidade.
Poema de paixão e erotismo. Gemido rente ao silêncio. - (Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, análise.)
e cubro a dor na intimidade das pálpebras cerradas
presa a voz demorando-se no desaire da saudade
Como a arte de ser furacão dentro de páginas
Pujança e ansia tão à beira de nada
Morre-me o drama...
e nas minhas mãos, só as tuas mãos
Camila Carreira
Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, breve análise.
Quero-me rendida no teu corpo lasso - (Análise de poema de Fernando Pessoa)
Nos silêncios em que te ouço
Te amo em amplo abraço
Saciando-me na tua pele
Porque me electrizas
Como se me viesses de dentro
Inequívoco
Como se fosse também eu, tua pertença
Desde sempre
Nas longínquas palavras e melodias nossas
esgueiradas em memórias viscerais
Poema do Amor cósmico - Análise do pastor poeta Alberto Caeiro

Braço imenso, intenso e abstracto
Olhos em labareda de almas quentes
Beijos como meteoritos atravessam vazios
Incendeiam relâmpagos,
Ininteligíveis velozes
Fixo-me nas estrelas para te chegar
Sentir-te no sopro que és, de vento
Escutar-te nas vagas que és, de mar
Esboçar-te no infindo que és lunar
Serei pássaro ou força esvoaçante
Que te sonha sobrevoar.
És excesso de mar nesta enseada
Colo de virgem apaixonada
Nem o espaço nem o tempo
Te apartam de mim
Sinto-te perene a ficar.
Como a lua com o luar
Ou as ondas com o mar
impossíveis de separar...
És a ilha deserta quando naufrago
És universo, sem princípio nem fim,
Amplo azul... para mim
Poema da paixão desditosa
Desculpa por amar-te assimLevitando vaga nesta incerteza
Tudo porque se apossou de mim
Inevitável minha intensa natureza
Jamais planeei eu sentir
Esta dor solitária impiedosa
Que faz em mim sobrevir
Pertenta paixão desditosa
Conseguirei eu esquecer
Teu olhar que me apaixona?
Que insondável me faz tremer
E que doce… me emociona
Conseguirei eu esquecer
O teu respirar que me ansiava
O teu beijo que me fazia viver
O teu abraço que me salvava
**** Camila Carreira ****
Momentos de cultura e curiosidades poéticas...
Fernando Pessoa
Dorme enquanto eu velo...
Poema de procura do amor - Bernardo Soares - DIÁRIO LÚCIDO
DIAS DE SOLIDÃO
Tem dias assim…A solidão senta-se altiva dentro de mim
Intransigente…
Lentamente
Intimida-me naquele ar assente
De quem veio para ficar.
Quase mansa e amiga
Uma solidão vasta e ostensiva
Como a imensidão do mar
Onde tudo parece longe e só
E o cansaço veleja a ruminar
Em ondas que não querem parar
Uma solidão que já nem angustia
Porque esse mar amplo e vazio
apega-se e norteia o pensamento
Guia-se pelas estrelas ao luar
Solto-o, incerto vadio e lento
Fecho os olhos deixo-o a pairar
Sorrio...
Adivinhando quem ele vai procurar
Para me sossegar.
Procura quem eu amar...
Um dia vai-te encontrar
*** Camila Carreira ***
Momentos de cultura...
Fernando Pessoa
Poema de pétalas garridas

A VIL ENXURRADA
Sou pétala robusta vivaz e garrida
Que pende em flor frágil desbotada
Sou alma sadia, firme e atrevida
Desafiando um mundo que vale nada
Flutuo insanável cansada
À espera de nada.
Porque a primavera fecunda
Só traz trovoada.
E a pétala garrida vivaz atrevida
Solta-se enfim desgarrada
Com halos de esperança ateada
De raios de luz matizada
Parte na esperança da alvorada
O recomeço do nada
Voejo apressada
Salvar-me-ei, por certo
Desta vil enxurrada
Desta vida endemoniada
*** Camila Carreira ****
Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas...
Bernardo Soares
Reconheço, não sei se com tristeza, a secura humana do meu coração.
Sem que ninguém dê por mim
Poesía e imagens de amores perdidos, jazidos
Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas...
Sabe qual é o poema de Fernando Pessoa mais citado na Internet?
Poema de desolação de uma vida queimada
Esqueci que existiaDeixei de ser,
E nem percebia
Só quis dar
E nem recebia.
Exigiram-me tanto
E eu nada pedia.
Atarefada e esgotada
Porque a todos atendia,
A minha vida esquecia
Pelo bem de todos cedia
Numa entrega doentia.
Desleixei minha existência
Acreditei, já nem me defendia
Da maldade que me oprimia.
Promessas falsas e mentiras,
Isolamento e solidão… e eu cria
Entorpecia e nem sabia.
O meu futuro passou a utopia
Que aos poucos se desvanecia
Mas eu torpe e espoliada
Já nem podia ripostar
Nada tinha para me validar
Para exigir ou negociar
Era um nada frágil a pairar
Esqueci de duvidar
Esqueci de querer
De sonhar
Esqueci de rir
De pedir
De me olhar
De gritar
Ou de gemer
Quando estava a doer
Esqueci de me debater
Esqueci de mim…Até que chegou o fim...
Usada e descartada
Olhei-me com desdém
Não me sentia ninguém
Apenas cinzas frias e baças
Espólios da devastação
De uma vida queimada...
*** Camila Carreira ****
Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... ~
Bernardo Soares
Minha alma é uma orquestra oculta;
Paixão é inopinada conexão
Poema e frases de paixão em ebulição

Paixão é complexidade e fusão
É apetecível contradição
Vibrante paz em ebulição
Assimetrias em turbilhão
Entrega sem preservação
Dádiva sem delação
Paixão é inopinada conexão
Simbiose em abnegação
Espero-te a todo o momento
Sê o sopro do meu vento,
O impulso do meu alento
Quero ser nuvem negra da tua trovoada
A luz amena da tua alvorada
O horizonte garrido do teu poente
O riacho fresco da tua nascente
Quero ser tudo que germine em ti
Tudo que finde em ti
Tudo que exista por ti…
Sem ti serei inacabada
Pairo nula no nada
Um vazio que não domino
Sem ti sou mera dor, lágrimas e desatino
Uma solidão doída, que abomino…
Uma jornada desprendida e sem destino
Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas...
Bernardo Soares
Às vezes, em sonhos distraídos, que me surgem das esquinas...
Poema quero ser a onda do mar
Quero ser a onda do marAquela que vai e vem
Sem nunca ficar
Sem ter que se escusar
Sem nada trazer e nada levar
Arrastando tudo sem se apoderar
Sem bagagem para arrecadar
Eterna viajante a ondear
Sem ambicionar
Mais que o manso baloiçar
É uma cortesia do mar
Girando em melodias de embalar
Na ondulação fluída de infinito
Do incessante marear
Muda de humor sem se desculpar
Numa vaga suave prestes a rebentar
Singular, musical ou infernal
Imprevisível fulgente e sedutora
E tantas vezes o ouço gritar
Outras tantas a chorar
Fúrias que não pode calar
*** Camila Carreira ***
Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas
Fernando Pessoa
Azul, ou verde, ou roxo, quando o sol
Poder da paixão ardente imaginada
Amanhecer apaixonada
... inquieta... Irrequieta, abrasada
****CAMILA CARREIRA****
Momentos de cultura e curiosidades poéticas....
Fernando Pessoa
A tua voz fala amorosa...
Poema de paixão sensualidade e erotismo
Vassala solta no teu prazer
O meu olhar fundia-se em ti.
Vacilei de desejo quando te senti,
Cálido, cercada nos teus braços,
Meu corpo ofegou de ânsia,
Desabou rendido, estendido.
Eramos tão só tu e eu
E a tua pele na minha… ardiam.
Rastilhos febris que se consumiam
As tuas mãos possuíam-me.
O teu olhar penetrava-me.
E teus beijos iam dentro de mim,
E despojavam-me do mundo,
Eramos tão só, tu e eu, nada mais…
Afogueava-me o desejo,
E o prazer intenso de já te ter,
Raspou em mim como uma flecha a arder.
Incendiada, convulsa de prazer,
Entendi que era assim que queria viver
Em ti, por ti, mártir
Vassala solta no teu prazer
**** CAMILA CARREIRA****
Momentos de cultura e curiosidades poéticas...
Fernando Pessoa
Diálogo na treva?
Imagens de Prisioneira da poesia solta na nostalgia
Poesía que me inspira
É vão resistir aos sentidos que em mim despertasPoema paixão a dor e fervor que se teme

Poesías e ímpetos do coração
Hoje vou-te amar porque quero.Porque de ti tão só espero
Que tomes o que me urge dar
Ímpetos e fantasias de amar
Quero-te complacente a tolerar
Ignoto amor que te pretendo legar
Sensação súbita que sinto emergir
Anui-me… nem precisas de existir
Admite-me afoita nesta paixão volátil
Arrebatada em belas e levianas fantasias
Paixão é liberdade abstrata e versátil
Eclosão díspar de imprudentes energias
Vivem-se intensos abalos epiléticos
Sôfregos desejam-se os amantes
Afligem-se como choques elétricos
Em frações de ansiedades pulsantes
Paixão é dor e fervor que se teme
Doendo crescendo como vaga do mar
É nau instável derivando sem leme
Nunca sabendo pra onde vai rumar
Quero sentir paixão porque me apraz
Preciso rastilhar rajadas de emoções
Porque me enfada a parda e inerte paz
**** Camila Carreira ****
Momentos de cultura e curiosidades poéticas...
Fernando Pessoa
Ah quanta melancolia!
Poema de saudade paixão
PARTIDA SEM RETORNO
Um rasgo de luz triste, na janela
Uma gota da chuva lenta a deslizar
Uma melancolia que cresce nela
No momento que te vê a apartar
No olhar penumbras obscuras
Denunciam a infinda tristeza
De quem já excedeu as agruras
E verteu mil lágrimas, indefesa
No sorriso abrem frescas alvuras
Eclipsam o desolado semblante
Vergado pelas sádicas torturas
Do passado estéril e meliante
Na vidraça fria a fronte repousa
Avassalada débil já em torpor
Mesmo doendo, ela ainda ousa
Deixar fluir a saudade do amor!
Entorpecida na delonga da solidão
Refém da esperança e do esperar
Implora ao débil traído coração…
- Não doas… o amor vai voltar
*** Camila Carreira ****
Momentos de cultura e curiosidades poéticas...
Álvaro de Campos
A PARTIDA
Poemas de paixão e fantasias
ELEGE-ME TUA SERVA
Essa imperfeita perdição
Que é o amor
Conecta felicidade com dor
Devassidão com pudor.
E deixa o cosmos revirado.
Jamais podendo ser ignorado.
Quero saber de ti, amor
Se existes… Onde estás?
Onde te perdeste?
Se me encontrarás
Porque não me sentes?
Nem me consentes…
Se eu só quero viver em ti
Agitar-me nas tuas tormentas!
Vem...
Trespassa, desapiedado, esta letargia
Que repele e suga toda a alegria.
Dissipa, abrupto, a minha solidão!
Que me tolhe de negro o coração…
Quebra, aparatoso o silêncio glacial!
Que ressoa no vácuo frio infernal
E não me deixes sucumbir… petrificar
Humaniza-me. Desperta-me, liberta-me
Arrasta-me agreste doce e inquieto
Só na tua inquietude posso serenar
Esta ira tresloucada de te procurar
Arrebata-me deste viver cinza, sem cor
Elege-me tua…
Paradoxal e policromático, amor
*** Camila Carreira ****
Momentos de cultura e curiosidades poéticas...
Fernando Pessoa
Servo sem dor de um desolado intuito,
Poema do monstro de solidão e traição
DESUMANIDADES
O monstro impiedosoSoltou-me no vazio sem hesitar
Atirou-me para o mundo
Sem me amparar
Arrancou-me as asas...
E exigiu-me que voasse
Arrancou-me o chão
E exigiu-me que caminhasse
Estilhaçou meu coração
e exigiu-me que vivesse!
Lacerou-me a vida em pedaços
E exigiu-me que o esquecesse.
Evaporou toda a verdade
E exigiu-me que aceitasse
Destruiu toda a minha vida
E exigiu-me que não chorasse
A desumanidade venceu
Em afilado precipicio resvalei
Cansada da dor do vazio parei
Traída demais chorei
Silencioso e negro, em nevoeiro
Com máscara de amor verdadeiro
Destilando a crueldade
Entrou bruto e sorrateiro
Impiedoso e louco
De olhar frio, de sangue raiado
Desumano, grotesco e vazio
Possuído de insano desvario
Apunhalou-me o coração
Odiou-me por o ter amado
E partiu desassombrado
desapegado
...O monstro ruidoso e louco
O monstro que destruiu
O monstro que consumiu
O monstro que extorquiu
E cobardemente me feriu
Finalmente sorriu e fugiu
*** Camila Carreira***






