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Poemas de saudade e partidas. Amor de Mãe análise de poema e biografia deTeixeira de Pascoaes, in 'Elegias')








Nenhum corpo é isto...
uno e só
Ignorado e coroado por duros timbres da saudade
latejo intenso ferindo os sentidos
no ócio a alojamos como à fome - ferocidade adentro -
Porque longe e além moram os saudosos
deixam olhos no lugar do tempo
semblantes tristes no lugar da lua
Saudade içada ao vento 
Bordada entranhada alinhada na geometria de poemas
onde a saudade já é vício e tema
Escritos previsíveis retiros
refugio das almas que submergem frias e sós,
Prendidas na raiz da caverna
Tolhidas no susto da dor
Saudade... 
Uns procuram alto até às ramagens de ouro.
Outros nas profundezas dos filões pétreos
Mas Tudo é saudade e ausência 

definha-se como água do mar ao sol
petrificada em cristal
Não falas, mal respiras,
Com todo o peso da solidão
Onde o silêncio cai 
e o pensamento voa
Feroz, paciente, acometido, centrífugo...
Firme no vértice do abismo 
fundo como a saudade 

Camila Carreira

Como se deve analisar um poema 

Exemplo do ChatGPT

Este poema, da autoria de Camila Carreira, é uma reflexão profunda sobre a saudade, a solidão e a condição humana. Aqui estão algumas das principais ideias e temas que se destacam:

  1. Exploração da Saudade: O eu lírico inicia com a afirmação de que "nenhum corpo é isto", sugerindo que a identidade e a experiência humana não podem ser reduzidas a uma única forma ou definição. A saudade é apresentada como um tema central, uma força poderosa que molda a experiência do eu lírico.

  2. Intensidade Emocional: A expressão "latejo intenso ferindo os sentidos" evoca uma sensação de dor e intensidade emocional. A saudade não é apenas uma lembrança; é algo que fere e impacta profundamente a vida do eu lírico.

  3. Dualidade e Contraste: O poema contrasta a saudade com a ideia de presença. A imagem de "deixam olhos no lugar do tempo" sugere que a saudade é uma forma de perda e que os olhos (símbolo da visão e do entendimento) estão fixos no passado, enquanto a lua, que representa a luz e a esperança, está ausente. 

Poema de amor e saudade... onde os poemas me nascem. (Análise de Fernando Pessoa. A dor de pensar)

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Transborda solidão aqui longe de ti 
Dramática de cor gélida, invade 
Desabrigo que ninguém quer sentir
voo rasante que arrepia
Excomungado chão que ninguém ousa pisar
Soalho de desânimo por me sentir sem ti
Indolente deixo-me nele acetinado de lágrimas
Que resvalam atordoadas 
pelos escombros que me constroem

Vagos desaires ameaçam desamor –
Distração densa como que à espera do fim
Beijos de judas como que a olhar para mim
...oscilante fogo pousado na pressa de amar
- o tempo deixa marca mesmo das curtas travessias
Qual ciclone entrando-me pelo passado
e por lá rodopia de fogo e gelo – 
na primitiva descrença humana - 
na loucura dos corpos - 
na ancestral voz que me estremece o olhar
e o que escrevo sai desta fogueira de tempo
como grinalda ardida consumindo-me por dentro
... até à origem
e os poemas nascem-me
de sangue e carne… de saudade e alma
ardentes... desarrumados 

Camila Carreira

COMO O CHATGPT ANALISA A POESIA 

Este poema de Camila Carreira é uma poderosa meditação sobre a solidão, o desamor e a complexidade das emoções humanas. Vamos analisar os principais temas, imagens e emoções presentes:

Temas Principais

  1. Solidão e Desamparo: O poema começa com a declaração de "Transborda solidão aqui longe de ti," estabelecendo imediatamente o sentimento de ausência e a dor da separação. A solidão é descrita de forma intensa e dramática, o que sugere que a falta do outro é uma experiência profunda e angustiante.

  2. Desespero e Indiferença: O "desabrigo que ninguém quer sentir" e o "soalho de desânimo" transmitem a ideia de um espaço emocional e físico que se torna hostil na ausência do ser amado. A indolência é evocada como um estado de passividade, onde o eu lírico se entrega à dor e à tristeza.

  3. Amor e Desamor: A referência a "beijos de Judas" sugere traição e desilusão, indicando que o amor pode também trazer dor. O "fogo oscilante" implica uma luta interna entre o desejo de amar e o medo da dor que isso pode acarretar.

  4. Memória e Passado: O eu lírico reflete sobre as "curtas travessias" do tempo e como estas deixam marcas duradouras. O "ciclone" simboliza as forças emocionais que vêm do passado, intensificando a sensação de turbulência e instabilidade emocional.

  5. Criação e Sofrimento: A ideia de que os "poemas nascem-me de sangue e carne… de saudade e alma" sugere que a arte e a expressão poética emergem da dor e da experiência humana. A criação literária é vista como uma forma de lidar com o sofrimento e a solidão.

Poema de amor. Se eu fosse lua no sossego da tua boca. (análise do poema de Luís de Camões)

Na noite que é espessa –  acendes vogais em palavras que escrevo  Lê-me...

Solidão que ousa 
fogo que queima o oxigénio à razão
desperta todas as coisas que adiei
e das memórias convulsas derramo arrependimento
quis viver tudo sem perdão
 foi fútil toda a ambição -
toda a aflição do tempo encriptado-
toda a pieguice do vazio passado
... e como é veloz a vida... insaciável 
nem se matam todas as fomes
foi noite espessa, foi estéril 
casto espanto me cercava ilegível
ascendi para infinitos inexplicáveis
obstinados temores onde fui rebeldia
sinto a antiguidade como baú lacrado
em mim cravado

Nas ruas vagas e lívidas –
tento acender vogais nas palavras que escrevo
alvas linhas que traçam destinos fechados 
irremediáveis  
tanta vida a apagar-se em vazio torpe 
Obsceno esmorecer de sufoco e cansaço
Tanto peso e abdicação na candeia consumida
Mas fora eu única e lua no sossego da tua boca
E tudo ficaria vivo e desperto até às horas mais tardias

Neste quase nada que é tanto, o instante 
é vinho e poema-  a palavra é parca
o silêncio clama 
vida é lampejo tão à beira do abismo
tanto mar e tão poucas correntes me levaram
presa nas ondas extremosas do amor
no cais à proa onde a âncora é dor 
ancorada remetida... sem poder partir 

Camila Carreira

ANÁLISE DO POEMA PELA INTELIGENCIA ARTIFICIAL AI

Este poema explora a dor e a complexidade da solidão e da busca por sentido diante da vida, capturando tanto a angústia como a intensidade dos sentimentos do eu lírico. Ele abre com um confronto direto com a solidão, descrita como um fogo que “queima o oxigénio à razão”, uma imagem que transmite a ideia de uma força avassaladora e descontrolada que compromete a clareza mental. As memórias adormecidas despertam junto ao arrependimento, levando o eu lírico a revisitar ambições e desejos fúteis que se tornaram infrutíferos.

A reflexão sobre o tempo enfatiza a efemeridade e o vazio sentido, numa vida onde “nem se matam todas as fomes”, sugerindo uma insaciabilidade emocional. Essa noite de vida estéril e densa é marcada por uma existência “ilegível”, que o eu lírico descreve como se ascendesse a “infinitos inexplicáveis”, lugares de temor e de rebeldia, como se buscasse sentido em experiências passadas que permanecem enigmáticas.

No segundo verso, as “ruas vagas e lívidas” sugerem a paisagem de uma mente ou de uma cidade desolada, onde o eu lírico busca nas palavras um refúgio. Ele “acende vogais nas palavras que escreve”, uma metáfora que representa o desejo de iluminar os sentimentos, de dar vida e sentido ao que viveu. As “linhas alvas” são descritas como “destinos fechados”, indicando que as escolhas e as experiências da vida podem já estar marcadas e irreversíveis, contribuindo para o sentimento de resignação e de perda.

Poema de paixão e erotismo. Gemido rente ao silêncio. - (Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, análise.)

poemas de amor e erotismo, poesia portuguesa, poemas originais, fernando pessoaVoo no tempo com leveza e delírios  
como sombra a latejar a imponderável vida
sou somente vereda, desses domínios - 
Nas sendas que me vão levando de ti
No tropel dos dias emboscando a saudade
Sobrevoas-me o pensamento a todo o instante
e cubro a dor na intimidade das pálpebras cerradas
no limiar dos meus olhos 
desenha-se o sonho de ti em êxtase 
sagramos o momento sem profanar o intimo
em orgasmos que se perfilam puros de tão imensos 
... de tão intensos 
sucumbo no gemido, rente ao silêncio

e no fim... 
a madrugada nos confins onde te diluis
Calo-me a murmurar gritos em poemas
presa a voz demorando-se no desaire da saudade
Como a arte de ser furacão dentro de páginas
Ou ser onda das que galgam o mar
Ser mãos inquietas segurando o cálice cheio de luar
Pujança e ansia tão à beira de nada 

Morre-me o drama... 
e da fronte, a frente e a vontade de ir
e nas minhas mãos, só as tuas mãos
são tudo que quero e de que disponho

Camila Carreira 


Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, breve análise. 

A poetisa Florbela Espanca (1894-1930) é dos maiores nomes da literatura portuguesa.

Quero-me rendida no teu corpo lasso - (Análise de poema de Fernando Pessoa)

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Quero-me rendida no teu corpo
Lasso
Onde quente de ti
Nos silêncios em que te ouço
Te amo em amplo abraço
Saciando-me na tua pele
Porque me electrizas
Em ondas e arrepios
Quero ler-te sedenta de enigmas
Como se me viesses de dentro
Inequívoco
Como se fosse também eu, tua pertença
Desde sempre
Nas longínquas palavras e melodias nossas
esgueiradas em memórias viscerais 
tudo regressa à raiz por ser seiva
assim pugno por nascer tua liquida
em cada nascente como grito de sangue
em cada fogueira sacerdotisa do amor
em cada poema rima voraz
em cada caminho brutal emanação
como o idioma invicto 
em que professo esta rendição

                 Camila Carreira


«Na casa defronte de mim e dos meus sonhos» 
Interpretar um poema de Álvaro de Campos

Poema do amor como vagas do mar

versos de amor, quadras de paixão, poesia negra, rimas de namorarFlutuo no sonho ao vento 
Como onda do mar ao relento 
Ondas de ternura e de alento
De seda fluídas neste tempo 
E Rasando meus lábios famintos
Acordam-me sonhos extintos 
Onde sempre te sonhei beijar  
Sentir-te como mar sereno
Maresia na pele a roçar 
E em paz e pacato deleite  
Senti o ímpeto de te amar
Como vagas que se alevantam
Bruscas sem amainar
Galgam barreiras e muros
Invadem recônditos escuros
Onde escondera inseguros 
Meus segredos de te amar 


***Camila Carreira *** 

Poema do beijo febril a alastrar

Deslizei a mão no teu rosto 
Senti apurado gosto
Numa ternura carnal 
Instintiva de animal 
Que age sem dar sinal 
Sem reflexão ou moral 

Meus olhos ávidos de afetos
Deliciam-se em teus trajetos
E que de tanto te procurarem
Mergulham nos teus, abertos
Vibrantes como mares desertos 
Vagamos sedentos incertos 
Sôfregos de beijos e libertos

E agora de corpos tão perto 
Sabes-me capaz de te amar
Sabes o quanto é doloroso
Obstar-me de te abraçar
Ardente desejo irascível 
É rompante febril a alastrar
Que me queima até te beijar 

**** Camila Carreira ***

Momentos de cultura e curiosidades poéticas 


Bernardo Soares

Poema de amor e rimas, ama sem ter quem amar

Alma de quem ama mas já não quer amar 

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A Luz trespassa o fusco vago do mar
Cintila no espelho espumado, a ofegar
Ondeando teimando em vir sem ficar
Como quem ama, sem ter quem amar
                            *
Cinzas sombreiam a noite eminente
Anunciada na lua pura alva luzente  
O crepúsculo desmaia de cor ausente
Como coração vazado, de beijos carente
                           * 
Desanimo na grandeza fugaz do mundo
Pujante, imensurável como o doer profundo
Prefiro olhar alheia como quem não quer ver
Porque vivo bassa como quem não quer viver
                        *
E as ondas eriçam-se frias, iradas por mim
Infinitas incessantes como a fúria sem fim
Desespero por paz num refúgio de ilusão
Onde finjo que sim... mas em tudo é não
                       *
Porque dessas rochas polidas de tanto mar
Escorrem gotas de sal do meu solto chorar
E rugem ondas arrancadas da alma a gritar
Alma de quem ama mas já nem quer amar

**** Camila Carreira ***


Como analisar um poema 


Este poema é uma expressão profundamente melancólica, que evoca imagens de solidão, tristeza e resignação. Através de metáforas relacionadas ao mar e à natureza, o eu lírico transmite a intensidade das suas emoções e o seu desespero perante a própria existência e o amor.

**Análise:**

1. **Luz e o mar como símbolos de transitoriedade:**
   A "Luz que trespassa o fusco vago do mar" sugere uma tentativa de encontrar clareza ou sentido, mas é efémera e passageira, como o "espelho espumado" que reflete e se dissipa. O mar, que "ondeia teimando em vir sem ficar", reflete o desejo e o amor que não encontram resposta, reforçando a sensação de vazio.

2. **Cores e a ausência de vida emocional:**
   A palidez do crepúsculo, "de cor ausente", remete ao esgotamento emocional, comparado a um "coração vazado, de beijos carente". Aqui, o contraste entre a beleza natural e a falta de conexão humana enfatiza a solidão e a necessidade insatisfeita de amor e afeto.

3. **O desânimo diante do vasto e impessoal mundo:**
   A vastidão do mundo é percebida como esmagadora, "imensurável como o doer profundo". O eu lírico prefere "olhar alheia", numa postura de desconexão, quase como se tivesse desistido de viver plenamente. A escolha de "viver bassa" ilustra a letargia emocional e física, como alguém que se arrasta pela vida sem vontade de a enfrentar.

Poema do amor escudado e frio

O sol fita-me sem verdade
De olhar evidente que queima
camila carreira, poesia e quadras de amor, versos rimas namorar
Alto indiferente sem piedade
Como castigo vil em que teima

E quando o sol não me fitar
Recolhido no remoto crepúsculo
Seguirá mesmo assim a queimar
Este meu ser que lhe é minúsculo

Porque tinhas que ser assim
Sol impenetrável e castigador
Fugido no horizonte sem mim
Escudado de frio ao meu amor

Nessa névoa que te encobre
Onde jamais te encontrarei
Nessa tua imponência nobre
Intimidas-me, é tudo que sei

*** Camila Carreira  ***

Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 


Fernando Pessoa
Ah, como o sono é a verdade, e a única

Poema das vagas que moves em mim

camila carreira, versos para namorada, poemas imagens amorAmava respirar-te 
Encher a minha alma de ti
Reviver como foi em ti que renasci
Amava que sentisses as vagas que moves em mim
Anseios que se agitam em frenesim
Sinto o corpo e a alma a estremecer
Nas ondas da saudade de te ter
Sacia-as, só tu o podes fazer
Esta sede dos teus beijos, sem fim
Esta ânsia dos teus braços à minha roda
Este desejo das tuas mãos em mim toda
Esta saudade da tua voz
Saudade de nós
... Sós

***** CAMILA CARREIRA *****

Momentos de cultura... 

Todos os poemas de Alberto Caeiro num livro só


"Obra Completa de Alberto Caeiro" é o novo volume da "Coleção Pessoa" da editora Tinta-da-China. Para além de todos os livros de poesia, a edição inclui vários textos escritos por Pessoa sobre Caeiro.

Poema apaixonada sem moderação

Pulsar de paixão, dói demais 


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Porque vim eu desabar em teus braços
Tragar seiva bruta e amarga da paixão
Porque reitero eu estes erros crassos
Ir, apaixonada pelo amor sem moderação

E dói depois imenso, em horas sós e tão duras
Onde só o vazio nos aconchega das desilusões
Onde vaporizo memórias nas que ainda perduras
Salvando meu coração vítima de convulsas paixões

Deixa que a paixão seja teu ermo altar de louvor
Deixa que seja ela teu culto insano mas pacato
Deixa-a ser mera antecâmara do vindouro amor
Vive-a feroz e fervente mas sempre com recato

Alimenta-a só em palavras sonhos e poesias
Vive-a de olhos cerrados apenas em fantasias
Eleva-te em desejos ignomínias e heresias
Mas jamais confesses que tanto querias

O coração já exausto do degelo e do ardor
Trapaceado em tuas escolhas e pulsões frugais
Recolhe-se tolhe-se e deixará de ser-te servidor
Entenderá que pulsar paixões dói demais

**** Camila Carreira**** 


Momentos de cultura e curiosidades poéticas.... 


Álvaro de Campos
AH, UM SONETO...

Meu coração é um almirante louco
Que abandonou a profissão do mar
E que a vai relembrando pouco a pouco
Em casa a passear a passear...

Poema de sonhos roubados

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SONHOS QUE VOAM 

Quedo-me estática híbrida
Entre mim e outro ser qualquer 
Aquele que não consigo conter
Sinto-o apenas como ferida
Difusa lágrima dentro a doer
Acolho-me dentro de mim
Esventrada da dor sem fim
Tolhida em demente apatia
Tombo ali queda e muda
Inerte sem ambicionar andar
Vejo asas que se revolvem no ar
Ágeis leves deixam-me sonhar
Porque me forças-te a rastejar?
Se sabes o quanto sonhei voar
E o sonho foge veloz de mim
Nas asas que tonta lhe leguei
Nas asas que pra mim sonhei
Agora resignada caída enfim
Vejo o sonho e asas partirem a voejar
Enjeitando quem os estava a sonhar
Desprezando quem jurou amar

**** Camila Carreira ***

Momentos de cultura e outras poesias... 


Dr. Pancrácio (Fernando Pessoa)
SONHO

Poema das borboletas e do beijo

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O beijo vermelho que te dou 

Airosas as mariposas
Planando metafóricas borboletas
Como flores que se libertaram
De raízes que as aprisionaram
E belas de cores esvoaçaram
Em silêncio tão colorido
Num planar divertido
Sôfrego e desprendido
Como recluso que se libertou
Ou como o beijo que te dou
Suave vermelho cheio de cor
Solto pleno de amor
Voando agora liberto
Do meu fingido pudor

            ***  CAMILA CARREIRA **** 


Momentos de cultura e outras poesias... 


Fernando Pessoa
Fiquei doido, fiquei tonto…

Sem que ninguém dê por mim

camila carreira, poemas de amor, rosas e cinzas, poetisa portuguesaPoesía e imagens de amores perdidos, jazidos 

Ao ritmo do vento que sopra
Tamborilando em pétalas roxas
Aromatizadas de lírios
Sinto inebriados delírios,
Pelos vendavais trazidos,
Amores perdidos, jazidos 

Não queiram saber de mim
Sou aroma... sou mera brisa
Sou sem princípio nem fim
Ninguém saberá de mim.
Porque eu existo assim
Pairo indefinidamente
indelével e sem destino
Desgarrada e sem ânimo
Volátil, num qualquer jardim
Sem que ninguém, dê por mim...

   ***Camila Carreira****

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Sabe qual é o poema de Fernando Pessoa mais citado na Internet?

Poema de amor bálsamos de mel e fel

camila carreira, poemas de amor rosas e cinzas, portuguesaO QUE É O AMOR

Amar é veneno agridoce
Que sofregamente tragamos
Incansavelmente mendigamos
Esses efémeros momentos
De bálsamos de mel
Com travos de fel.
Amar é sentir na pele
Deleitosas ondas de calor e dor
Ardendo e doendo…
Mas querendo
Amar é o abismo de fim incerto
Amar é vastidão longe e perto
Rota de perdição
Sem guias nem instrução
Não há forma sana de o viver
Nem forma humana de o deter
Este misto de dor e de prazer
Que se apodera de ti para te ter.
Amar é espiral paradoxal
Um círculo viciado e infernal
Amar é sair das trevas
E inalar insaciável, a luz
É pensar que é nosso,
O cume do mundo!!
É a salvação do moribundo
Realentado, quer viver…
É a absolvição dos levianos
E dos profanos, mundanos
Que nos intimidaram
E a quem exoneramos
Porque se amamos,
Não temos tempo
para validar a malvadez
E lá, do cume do mundo,
Não se avista a pequenez

**** Camila Carreira ****

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas.. 


Fernando Pessoa
A tua voz fala amorosa...

Poema de desamor no teu universo baço

MENTIRAS E DESAMOR 

camila carreira, poemas de amor cinzas e rosas, poetisaPercorri cristalina teu universo baço
Sofri o vazio do amplo espaço
Senti o frio eterno no meu regaço
A insipidez do teu amor escasso
E incertezas no nosso abraço
Entrei sem vontade de ser
Saí sem vontade de te ter
Vivo sem vontade de viver
Lembro o que quero esquecer
E venço-me neste cansaço
Incerta no teu espaço baço

Limbo hediondo e sombrio

Assediam-me os espectros,
Circundam-me os fantasmas,
Assombram-me as memórias
Debato-me refuto regressos
Pensamentos foragidos possessos
Idas sádicas a castelos passados
Revivem horrores nunca olvidados
Do viver lato que me foi sonegado
Por psicopata tresloucado

**** Camila Carreira ****

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas 


Fernando Pessoa
III - Ah, mas aqui, onde irreais erramos,

Poema de libertação quero ir

Sou a força que me animo 

camila carreira, poesia de amor rosas e cinzas, poetisa 2018
A vida trucida-nos em vórtices de dor.
Quando trapaceados e traídos
Por quem damos a vida e o amor
Num ápice, o Universo desaba
Pairamos sem fundamento.
Nada nos dá alento
Derivamos em corrente intrépida,
Frenética e impiedosa.
Adivinhando como nos vai asfixiar
Nada se avista para nos arribar
Apenas um vazio infindável
Onde se expande irreprimível dor.
Vergados à inclemente destruição.
Ao desalento dos perdidos na imensidão.
...No desamor e na solidão
Dos enclausurados nas sombras
Com eternas promessas de libertação...

Do mundo fiquei de veras, distante
Nada me anuíram ser ou viver
Quis ser livre nem que por um instante
Viva! Pertinente! Eu … enfim!
Repeli irada o cárcere da solidão
Derrubei muralhas quis ir em frente
Soltei meus devaneios na amplidão
Vi-me renascer súbita e eminente
Decidi partir, ir mesmo sem destino
Ir para onde o sonho deslaçado me levar
Quero ir sendo a força que me animo
Sem medos nem grilhões... até chegar

*** CAMILA CARREIRA ***

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Bernardo Soares
Estou num dia em que me pesa

Poema destino vincado

camila carreira, poemas de amor, rosas e cinzas, imagens de amorVersos e poemas curtos de amor e dor 

Trilhando este calvário frio e lento
Cavado de sulcos de sofrimento
Arrasto passos em vão alento
Nem enxergo pra onde vou
Que importa o movimento
Se parada sempre estou
E nada nunca se alcançou
E já se dissipou o fervor
Com que procurei amor
Ou outro qualquer valor
E ao fundo só avisto dor

Estanco-me hirta e irada
E desembainho minha espada
Escrevo de lâmina afiada
Como quem saca do rancor
Para trespassar um traidor
Como quem ferida de morte
Caída nessa má sorte
Só ressuscitará por amor
E já nada tem a perder
Pode matar e morrer

Nesta existência finda e tacanha
Cravada de tristeza tamanha
Jamais me liberto deste fado
Deste destino de triste, vincado
                                *** Camila Carreira***

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Bernardo Soares
A tragédia principal da minha vida é, como todas as tragédias,

Poema na busca do amor pepitas de luz

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Sinto este frio negro, que me invade
Como a solidão alta da montanha
Um frio severo e sem piedade
Que adentro de mim, se entranha

Mergulho nessa tristeza tamanha
Que tão só a minha alma conhece
Uma dor perene que me acompanha
Que todos meus caminhos enegrece

Acossada pelas noites vãs e vazias
Irrompe em mim o ímpeto e o furor
Busco em veredas remotas e sombrías
Vestígios de luz em pepitas de amor

Vaga na escuridão prossigo desnorteada
Serás tu no breu a candeia que me alumia
Encalço a tua luz devota e desenfreada
E é na pressa do ir, que alcanço o quanto te queria.


**** Camila Carreira *** 


Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas ... 


Ricardo Reis

Sê lanterna, sê luz com vidro em torno,

Poder da paixão ardente imaginada

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Amanhecer apaixonada

Esmorecia o dia, profundo e triste
Escurecia... eu só e desalentada
Desfilava a noite intermitente,
Ora estrelada, ora nublada
Pela névoa ondulante e agitada.
E foi na bruma que surgiste
Ouvir-te... Iluminava
Aquecia e abraçava
Imaginar-te sufocava
No peito eras fogo a deflagrar
Aspirei ávida a fresca brisa do mar
Que eu tanto demandava
Só nessa brisa aquietava
Palpitante... desentrapada
... inquieta... Irrequieta, abrasada
E ao sobrevir a madrugada
Rendida, faminta fascinada,
Confessei-me apaixonada…

Penetrou luz no meu coração
Nos céus na terra… a imensidão
Senti estrondos e um clarão
Minha alma rejubilou, enfim
Ao vibrar no peito a paixão
A vitalidade agarrou em mim
Nem que fora só na imaginação
Precisava sacudir-me assim

Mas a anunciada madrugada
Óbvia de nuvens alvo marfim
Delatara minha glória ideada
Que à crua luz do dia era nada
Mas agora sei que sim.
Preciso sentir-me assim
Apaixonada vivificada
Nem que eternamente desenganada
Pelo despertar impiedoso da luz da madrugada
Que me despoja o sonho de apaixonada


    ****CAMILA CARREIRA****

Momentos de cultura e curiosidades poéticas.... 


Fernando Pessoa

A tua voz fala amorosa...