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Quero-me rendida no teu corpo lasso - (Análise de poema de Fernando Pessoa)

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Quero-me rendida no teu corpo
Lasso
Onde quente de ti
Nos silêncios em que te ouço
Te amo em amplo abraço
Saciando-me na tua pele
Porque me electrizas
Em ondas e arrepios
Quero ler-te sedenta de enigmas
Como se me viesses de dentro
Inequívoco
Como se fosse também eu, tua pertença
Desde sempre
Nas longínquas palavras e melodias nossas
esgueiradas em memórias viscerais 
tudo regressa à raiz por ser seiva
assim pugno por nascer tua liquida
em cada nascente como grito de sangue
em cada fogueira sacerdotisa do amor
em cada poema rima voraz
em cada caminho brutal emanação
como o idioma invicto 
em que professo esta rendição

                 Camila Carreira


«Na casa defronte de mim e dos meus sonhos» 
Interpretar um poema de Álvaro de Campos

Poema da busca da verdade

camila carreira, poemas de filosofia, poesia de amor rosas e cinzasÁrduo conceber a plenitude de tudo 
É essencial ser vasto, amplo, voar mais alto
ter sido pássaro nalguma vida
Pairar sobre tudo carregando nada
Arrasto minha sombra na esplêndida vastidão do mar
E voejo a indagar
estigmas gradeados onde há antiguidade
Esse cais das almas feridas atracadas, sabidas
Onde apodrecem turvas águas estagnadas
Dogmas... sombras quietas acorrentadas
Incerta velejo desacorrentada 
Do que busco aí não há nada

Navego adentro de mim primeiro
Depois lírica, solta em barco veleiro 
Arrasto pássaros nos olhos, alucinantes
Contrariando astuta a lentidão da vida
E nas horas robustas debato-me 
Voando como se as asas rompessem o vento
Sentindo estreitar safras de verdade
Nas famintas fissuras da minha alma
Nunca aceitei o todo por metades
Os vazios... 
Quis ir aos limites da audácia dos segredos
Desafiando os mais ancorados medos
Tragando a mais intragável das verdades
Quebrando correntes 
revolvendo o estagnado
Questionando com afronta, o dogmatizado

Penso do tamanho do que sinto. 
Olhares obsessivos nas palavras.
... e aí bem dentro de mim 
mantenho todos os desejos de saber, intactos. 
Nasci pura, heróica, sedenta, curiosa, poética. 
Vivo autêntica
na força que me move... o amor pela verdade. 


Camila Carreira 

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas.


Fernando Pessoa

O segredo da Busca é que não se acha.

Poema de amor e rimas, ama sem ter quem amar

Alma de quem ama mas já não quer amar 

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A Luz trespassa o fusco vago do mar
Cintila no espelho espumado, a ofegar
Ondeando teimando em vir sem ficar
Como quem ama, sem ter quem amar
                            *
Cinzas sombreiam a noite eminente
Anunciada na lua pura alva luzente  
O crepúsculo desmaia de cor ausente
Como coração vazado, de beijos carente
                           * 
Desanimo na grandeza fugaz do mundo
Pujante, imensurável como o doer profundo
Prefiro olhar alheia como quem não quer ver
Porque vivo bassa como quem não quer viver
                        *
E as ondas eriçam-se frias, iradas por mim
Infinitas incessantes como a fúria sem fim
Desespero por paz num refúgio de ilusão
Onde finjo que sim... mas em tudo é não
                       *
Porque dessas rochas polidas de tanto mar
Escorrem gotas de sal do meu solto chorar
E rugem ondas arrancadas da alma a gritar
Alma de quem ama mas já nem quer amar

**** Camila Carreira ***


Como analisar um poema 


Este poema é uma expressão profundamente melancólica, que evoca imagens de solidão, tristeza e resignação. Através de metáforas relacionadas ao mar e à natureza, o eu lírico transmite a intensidade das suas emoções e o seu desespero perante a própria existência e o amor.

**Análise:**

1. **Luz e o mar como símbolos de transitoriedade:**
   A "Luz que trespassa o fusco vago do mar" sugere uma tentativa de encontrar clareza ou sentido, mas é efémera e passageira, como o "espelho espumado" que reflete e se dissipa. O mar, que "ondeia teimando em vir sem ficar", reflete o desejo e o amor que não encontram resposta, reforçando a sensação de vazio.

2. **Cores e a ausência de vida emocional:**
   A palidez do crepúsculo, "de cor ausente", remete ao esgotamento emocional, comparado a um "coração vazado, de beijos carente". Aqui, o contraste entre a beleza natural e a falta de conexão humana enfatiza a solidão e a necessidade insatisfeita de amor e afeto.

3. **O desânimo diante do vasto e impessoal mundo:**
   A vastidão do mundo é percebida como esmagadora, "imensurável como o doer profundo". O eu lírico prefere "olhar alheia", numa postura de desconexão, quase como se tivesse desistido de viver plenamente. A escolha de "viver bassa" ilustra a letargia emocional e física, como alguém que se arrasta pela vida sem vontade de a enfrentar.

Poema apaixonada sem moderação

Pulsar de paixão, dói demais 


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Porque vim eu desabar em teus braços
Tragar seiva bruta e amarga da paixão
Porque reitero eu estes erros crassos
Ir, apaixonada pelo amor sem moderação

E dói depois imenso, em horas sós e tão duras
Onde só o vazio nos aconchega das desilusões
Onde vaporizo memórias nas que ainda perduras
Salvando meu coração vítima de convulsas paixões

Deixa que a paixão seja teu ermo altar de louvor
Deixa que seja ela teu culto insano mas pacato
Deixa-a ser mera antecâmara do vindouro amor
Vive-a feroz e fervente mas sempre com recato

Alimenta-a só em palavras sonhos e poesias
Vive-a de olhos cerrados apenas em fantasias
Eleva-te em desejos ignomínias e heresias
Mas jamais confesses que tanto querias

O coração já exausto do degelo e do ardor
Trapaceado em tuas escolhas e pulsões frugais
Recolhe-se tolhe-se e deixará de ser-te servidor
Entenderá que pulsar paixões dói demais

**** Camila Carreira**** 


Momentos de cultura e curiosidades poéticas.... 


Álvaro de Campos
AH, UM SONETO...

Meu coração é um almirante louco
Que abandonou a profissão do mar
E que a vai relembrando pouco a pouco
Em casa a passear a passear...

Poema de liberdade e motivação

Alma minha, cativa esvoaça

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Voa, voa… esvoaça
Liberta-te e vai com graça
Não te enleies na desgraça
Voa voa… vai e enfurece
Solta-te leve e engrandece
O tempo não se compadece
Voa voa… levezinha
Foge da inércia daninha
Ostenta a força que é minha
Voa… vai apressada
Solta-te da corrente apertada
Não te prendas em mais nada
Voa voa… mais além
Não te detenhas por ninguém
os ingratos não agradecem
Voa voa… já segura
O teu esvoaçar perdura
Com ousadia e bravura
Voa voa … alma triste
Que longe, a alegria existe
Tu sabes, já a sentiste
Voa voa… alma minha
Agora não estás sozinha
Levas nas asas o meu alento
Esperança de renascimento
Não te deixes quebrantar
Confio no teu sôfrego voar
Desdenha o que te protrai
Esquece quem te trai
Quem te fere e extenua
Bate as asas e continua…
Voa … estamos tão perto
Não temas mais o incerto
Nem a vastidão do deserto
Porque a vida é pequenina
E o futuro sempre um enigma
Eternamente em aberto
Não esperes pois plo certo

*** Camila Carreira ***


Como analisar um poema 

Este poema expressa um apelo à libertação emocional e ao reencontro com a força interior, simbolizado pela metáfora do voo. A imagem da alma que "voa" e "esvoaça" representa um desejo de liberdade, leveza e transcendência, em contraste com as dificuldades e amarras que prendem o eu lírico. A mensagem subjacente é de superação, autoconfiança e resistência, onde o tempo é impiedoso e a vida é passageira.

### Análise detalhada:

1. **Libertação e Força Interior**:
   O poema inicia com um imperativo, "Voa, voa… esvoaça", que reforça a urgência em libertar-se de qualquer peso que a desgraça ou as circunstâncias possam impor. A repetição de "voa" ao longo do poema simboliza uma busca contínua pela leveza e pela elevação, uma superação da dor que oprime. "Não te enleies na desgraça" estabelece uma oposição direta entre a leveza almejada e o sofrimento que deve ser deixado para trás.

2. **Conflito com a Dificuldade e Superação**:
   O eu lírico encoraja a alma a não se deixar aprisionar pelas correntes do sofrimento, da inércia e da traição. "Foge da inércia daninha" e "Solta-te da corrente apertada" expressam essa vontade de romper com o que limita a liberdade e o crescimento. A alma é vista como capaz de engrandecer e ostentar força, apesar dos desafios e ingratidões que enfrenta: "os ingratos não agradecem".

3. **Esperança e Renascimento**:
   O poema não é apenas um grito de dor, mas também um cântico de esperança. "Agora não estás sozinha / Levas nas asas o meu alento" sugere que, apesar da solidão passada, existe uma renovação e uma força que sustenta o voo. A metáfora do voo continua a funcionar como um símbolo de renascimento e de reencontro consigo mesma. A alma, que outrora estava perdida, agora reencontra um propósito no voar.

4. **O Tempo e a Vida como Enigma**:
   A incerteza sobre o futuro é mencionada, mas sem temor: "O futuro sempre um enigma / Eternamente em aberto". A vida é apresentada como breve e imprevisível, e o eu lírico incentiva a viver sem esperar "plo certo", aceitando o incerto como parte natural da existência. Isso reflete uma aceitação madura da complexidade da vida.

Poema da guerreira filha do vento - Fernando Pessoa (Antes do monólogo da treva)

GUERREIRA 

Renascida guerreira filha do vento
camila carreira, poemas de amor cinzas e rosas, poetisa portugalRepousa desperta no gélido relento
Noites de insónia em busca de alento
Emerge das trevas em firme intento

pensamentos sós ondeiam em fantasias
Desorientados revoltos, surgem gritantes
Urrando alongadas árias pérfidas e heresias
Pesadelos deformados, lúgubres... Distantes

E fintando lâminas de gelo lancinantes
Invisíveis traiçoeiras ágeis cortantes
Sem tréguas oculta sangrenta formosura
Talhada em cortes brutos de hórrida tortura

Feridas ardentes varridas por gotas salgadas
No derrame longo das lágrimas choradas
Dos golpes severos dessa vida matreira
Onde o dócil amor foi a mais vil ratoeira.

 *** CAMILA CARREIRA ****


Momentos de cultura e outras poesias.... 

Fernando Pessoa
(Antes do monólogo da treva)

Poema de pétalas garridas

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A VIL ENXURRADA 


Sou pétala robusta vivaz e garrida
Que pende em flor frágil desbotada
Sou alma sadia, firme e atrevida
Desafiando um mundo que vale nada
Flutuo insanável cansada
À espera de nada.
Porque a primavera fecunda
Só traz trovoada.
E a pétala garrida vivaz atrevida
Solta-se enfim desgarrada
Com halos de esperança ateada
De raios de luz matizada
Parte na esperança da alvorada
O recomeço do nada
Voejo apressada
Salvar-me-ei, por certo
Desta vil enxurrada
Desta vida endemoniada

*** Camila Carreira ****

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Bernardo Soares
Reconheço, não sei se com tristeza, a secura humana do meu coração.

Poema de libertação quero ir

Sou a força que me animo 

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A vida trucida-nos em vórtices de dor.
Quando trapaceados e traídos
Por quem damos a vida e o amor
Num ápice, o Universo desaba
Pairamos sem fundamento.
Nada nos dá alento
Derivamos em corrente intrépida,
Frenética e impiedosa.
Adivinhando como nos vai asfixiar
Nada se avista para nos arribar
Apenas um vazio infindável
Onde se expande irreprimível dor.
Vergados à inclemente destruição.
Ao desalento dos perdidos na imensidão.
...No desamor e na solidão
Dos enclausurados nas sombras
Com eternas promessas de libertação...

Do mundo fiquei de veras, distante
Nada me anuíram ser ou viver
Quis ser livre nem que por um instante
Viva! Pertinente! Eu … enfim!
Repeli irada o cárcere da solidão
Derrubei muralhas quis ir em frente
Soltei meus devaneios na amplidão
Vi-me renascer súbita e eminente
Decidi partir, ir mesmo sem destino
Ir para onde o sonho deslaçado me levar
Quero ir sendo a força que me animo
Sem medos nem grilhões... até chegar

*** CAMILA CARREIRA ***

Momentos de cultura e outras curiosidades poéticas... 


Bernardo Soares
Estou num dia em que me pesa

Poema motivacional do mundo quebrado

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MUNDO EM MIL PEDAÇOS

Olha p´ro mundo…
Só estilhaços!
Almas desfeitas,
Em mil pedaços
Solta-te e vai!!
Cerra o passado,
Equivocado
Corta os laços,
Fende os espaços.
Desata os abraços,
De que não careces,
São embaraços.
Cessa os esforços,
Detêm-te lasso.
Rasga o tempo,
E sem delongas,
Escapa ao mundo,
Insípido e de sombras.
Baixa os braços,
Não mais os ergas.
Apaga as memórias
… são só histórias
Das inglórias

Olha p´ro mundo
Renuncia moribundo.
Não mais insistas,
Não mais resistas,
Não mais existas,
Se só negro avistas.
E o negro roga,
Com voz gelada,
Que tu desistas,
Que tu sucumbas.
E o negro é frio
E frio é esse rio
Revolto e feroz
Da vida atroz
Onde derivas,
Solitário e vazio
Ansioso por repousar
Diluído na paz da foz
   
**** CAMILA CARREIRA****


Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 



Bernardo Soares
A renúncia é a libertação. Não querer é poder.

Poema o palco da vida para se amar

Poema de esperança

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Na vida deambulamos tropeçando
Derribados, sem destino, para nós
Vivemos caindo e desanimando
Num olvido vazio, frouxo e atroz

Procuramos ávidos tantos recantos
Gorados, sonhamos… desdenhamos
Encalhados no veredito dos desencantos
Num infecundo viver que desprezamos

Mas no breu, incandescente virá a luz
Brutal esperança que me enfeitiçará.
A crença em amores leais que supus
Deslumbre e fantasia que me sanará

E minha alma desamada, questionou:
Quem ousou dizer que não existias?
Quem cruelmente me sentenciou,
À resignação das noites frias e vazias?

As trevas começaram a relampear
As noites gélidas, a amornar
O vazio cru passou a significar
E a vida... um palco pra se amar   
 
****Camila Carreira***


Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 


Bernardo Soares
Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa.

Poema esperança e força de viver

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Ergue-te!
É esta a hora
De içar a esperança
Avança
Alcança
Lança os dados
Da tua sorte.
Procura segura
O teu norte.
Não chores
Não implores
Não demores
Urge recomeçar
Basta de protelar!
Ou lamentar
Estás encurralada
Desenganada
Despojada
Estagnada

Basta...
Ergue-te e reenceta
Já morreste
Já perdeste
Tanto que sofreste
Esmoreceste
E ainda nem viveste.
Ergue-te dessa dor
Daninha
Que te definha...
Emerge das cinzas
Fénix soterrada
Agita-as e brilha
Vai… E vive…

                ***Camila Carreira ****

Momentos de cultura e curiosidades poéticas... 

O que é a poesia?