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Poema de paixão e erotismo. Gemido rente ao silêncio. - (Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, análise.)

poemas de amor e erotismo, poesia portuguesa, poemas originais, fernando pessoaVoo no tempo com leveza e delírios  
como sombra a latejar a imponderável vida
sou somente vereda, desses domínios - 
Nas sendas que me vão levando de ti
No tropel dos dias emboscando a saudade
Sobrevoas-me o pensamento a todo o instante
e cubro a dor na intimidade das pálpebras cerradas
no limiar dos meus olhos 
desenha-se o sonho de ti em êxtase 
sagramos o momento sem profanar o intimo
em orgasmos que se perfilam puros de tão imensos 
... de tão intensos 
sucumbo no gemido, rente ao silêncio

e no fim... 
a madrugada nos confins onde te diluis
Calo-me a murmurar gritos em poemas
presa a voz demorando-se no desaire da saudade
Como a arte de ser furacão dentro de páginas
Ou ser onda das que galgam o mar
Ser mãos inquietas segurando o cálice cheio de luar
Pujança e ansia tão à beira de nada 

Morre-me o drama... 
e da fronte, a frente e a vontade de ir
e nas minhas mãos, só as tuas mãos
são tudo que quero e de que disponho

Camila Carreira 


Os 20 melhores poemas de Florbela Espanca, breve análise. 

A poetisa Florbela Espanca (1894-1930) é dos maiores nomes da literatura portuguesa.

Poema do beijo febril a alastrar

Deslizei a mão no teu rosto 
Senti apurado gosto
Numa ternura carnal 
Instintiva de animal 
Que age sem dar sinal 
Sem reflexão ou moral 

Meus olhos ávidos de afetos
Deliciam-se em teus trajetos
E que de tanto te procurarem
Mergulham nos teus, abertos
Vibrantes como mares desertos 
Vagamos sedentos incertos 
Sôfregos de beijos e libertos

E agora de corpos tão perto 
Sabes-me capaz de te amar
Sabes o quanto é doloroso
Obstar-me de te abraçar
Ardente desejo irascível 
É rompante febril a alastrar
Que me queima até te beijar 

**** Camila Carreira ***

Momentos de cultura e curiosidades poéticas 


Bernardo Soares

Poema de Cecilia Meireles Motivo da Rosa

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Poesia das pétalas e rosas

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

Decidi partilhar este poema de Cecília Meireles por duas razões;
Uma delas prende-se com o facto de o poema ter a ver com o nome do meu blog.
Como se deve escolher o nome de um blog? Eu decidi optar por escolher um nome que descrevesse o conteúdo. Poemas de amor, é a base pois é o amor que move todo o resto. Rosas e cinzas, porque o amor tem tanto de belo e vivo representado pelas rosas, como tem também o lado das cinzas, quando morre ou a chama se apaga sobram as cinzas. Quando perdemos a pessoa amada, sobram as cinzas e os dias cinzentos.