Poema de lamúria do nosso ido amor


Esqueci-me de avivar tantas memórias
Mas desenho teu rosto na perfeição
Esboço-o em polidas saudades inglórias
Nos silêncios onde só me grita a solidão

Partiste no fim do derradeiro beijo salgado

Sagrado pela última lágrima que se verteu
Prostrei-me chorando em pranto cansado
Rios de lágrimas que nem o tempo sorveu.

Sou agora personagem de um tempo…

D´uma era apagada e que já passou
Serva da escrita semeando ao vento
Juras de amor que alguém olvidou

E em noites vis adormeço a chorar

Redigindo o diário da minha saudade.
Do tempo em que éramos, tu e eu, a verdade
Perene imponente, que nada parecia abalar

Caí finda em melancolias vãs e infinitas,

Sovada por violentas memórias e desditas
Desenho noites inteiras, traços negros de dor
Rabisco poemas, lamurias, do nosso ido amor

****CAMILA CARREIRA***


Momentos de cultura...

Poesia e prosa de Álvaro de Campos reunidos num só volume pela primeira vez

Amor como flor de ciclame

Meu amor minha flor 

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Meu amor é aguerrido, florindo garrido
Pulsante cíclame que me vibra, colorido
Brota e flutua como grácil borboleta
Gritante veste de branco, rosa ou violeta

Minha flor de cíclame traçada perfeita
Viva e cativa no meu quimérico castelo
Altiva no peitoril da minha janela eleita
Fito-a vou e vagueio nos sonhos que anelo

flor imponente que consta orgulhosa
Como princesa que se alteia ao plebeu
No seu reto e altivo florir sempre airosa
Admiro-a com vaidade como reflexo meu

**** CAMILA CARREIRA **** 


Momentos de cultura .... 


Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida. 

Poema entre a dor e o amor

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ENTRE DOR E AMOR,  
Ai quanto amor dissipamos em fadigas e cobardias
E o quanto nos amamos só em minhas nostalgias
O cosmos quis-nos assim amando desentendidos  
E vejo no nosso amor, quantos sonhos meus, perdidos

Quis-te sim ardente, dias e noites, com devoção

Quis-te sim em ondas vãs de tormentosa paixão
Quis-te tanto… mas tanto que desisti de pensar
Que me esqueci quem era eu apenas para te agradar

Quanto de mim vi em ti, entre dor e amor, a pairar

Desejei, mesmo proibida, sentir teu beijo e abraço
Sentir-me tua, subjugada, colhida no teu regaço
Vendi a alma ao diabo tão só para te poder amar 

**** CAMILA CARREIRA **** 


Momentos de cultura... 

Fernando Pessoa. O amor, quando se revela,

O amor, quando se revela
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Poema só o viver já me castiga

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Não quero mais viver aqui
Onde só o viver já me castiga
Incontáveis golpes que recebi
Dor de que ninguém me abriga

Nunca fui eu que pedi
Este viver nulo e cruel
Com ele somente sofri
Dele apenas traguei o fel

Preciso recusar este viver
Esta previsível e lenta agonia
E cada sol que vir nascer
Será sempre e só, só mais um dia

E em cada dia que aqui eu for
Vou saber que é sempre triste
Viver esperando só mais dor
Sabendo que nada mais existe

Augúrios que pairam no ar
Sinto-os vindo como vento
Como chuva fria a fustigar
E eu desabrigada ao relento

Hoje perguntei ao vil destino
Porque me condenou ele a mim
Já consternada só procrastino
Existir neste calvário sem fim

Fitei o horizonte com desdém
Censurando infinita a crueldade
Quis existir paralela mais além
Fantasiando brisas da bondade

*** Camila Carreira ****

Momentos de Cultura e curiosidades poéticas... 


Fernando Pessoa
A morte é a curva da estrada,

Poema eu vivi morrendo por ti ( Reflexão comparada sobre Kierkegaard e Pessoa)

camila carreira, poemas de dor, poetisa portuguesa, versos de amorNas paredes do teu sonho infernal
Desenhei os meus caminhos
Julgando eu que serias leal
Mas eram frágeis teus pergaminhos
tudo fizeste para me sabotar
Lamento teus intentos mesquinhos

Com fragmentos de choro no olhar...
Que fita toldado o distante luar
Da noite funda onde fui findar
Com sonhos meus abortados
Esboçados em traiçoeiros torvelinhos

Solto brados e prantos desesperados
Como passarinhos caídos dos ninhos
Adivinhando o quanto estão condenados
E como eles também eu compreendo
Dolorosamente tarde o percebi
Eu apenas vivi morrendo
E morri vivendo por ti

**** CAMILA CARREIRA ***




Momentos de cultura... 

Reflexão comparada sobre Kierkegaard e Pessoa

Poema da paixão nua - Pessoa, Chuva Oblíqua


camila carreira, poesia portuguesa, poemas de amor e cinzas, versos namorarMeu sentir é transparente
Não mente
Nu de véus ausente
Inflama o âmago e a matéria
Traslada-me translúcida veemente
Multiplica-se como bactéria
Paixão que alastra impunemente,
Transborda farta como enchente
Vaza sentires até à carne, plena.
Apossa-se e serena
Não é doçura, não é carência,
Queima, é sentida ardência.
Questão de sobrevivência
Urgência… inclemência
Exige abraços fortes,
Palavras bruscas e cruas,
Feridas abruptas e cortes,
Pactos de vida e de mortes
Talvez nem a suportes
Mas paixão é assim...
Vertigem e desnortes

Frenesim do sol até à lua 
Êxtase em que me sinto tua,
Enquanto tu me feres de paixão... nua

****CAMILA CARREIRA  ****

Momento de Cultura... 


Fernando Pessoa

I - Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
CHUVA OBLÍQUA

Poema apaixonada sem moderação

Pulsar de paixão, dói demais 


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Porque vim eu desabar em teus braços
Tragar seiva bruta e amarga da paixão
Porque reitero eu estes erros crassos
Ir, apaixonada pelo amor sem moderação

E dói depois imenso, em horas sós e tão duras
Onde só o vazio nos aconchega das desilusões
Onde vaporizo memórias nas que ainda perduras
Salvando meu coração vítima de convulsas paixões

Deixa que a paixão seja teu ermo altar de louvor
Deixa que seja ela teu culto insano mas pacato
Deixa-a ser mera antecâmara do vindouro amor
Vive-a feroz e fervente mas sempre com recato

Alimenta-a só em palavras sonhos e poesias
Vive-a de olhos cerrados apenas em fantasias
Eleva-te em desejos ignomínias e heresias
Mas jamais confesses que tanto querias

O coração já exausto do degelo e do ardor
Trapaceado em tuas escolhas e pulsões frugais
Recolhe-se tolhe-se e deixará de ser-te servidor
Entenderá que pulsar paixões dói demais

**** Camila Carreira**** 


Momentos de cultura e curiosidades poéticas.... 


Álvaro de Campos
AH, UM SONETO...

Meu coração é um almirante louco
Que abandonou a profissão do mar
E que a vai relembrando pouco a pouco
Em casa a passear a passear...